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terça-feira, junho 25, 2024

Vozes da bola: Carlos Alexandre Torres, o filho do ‘Capita’

O ditado popular “Filho de peixe, peixinho é”, parece que foi criado para Carlos Alexandre Torres, filho primogênito do lendário Carlos Alberto Torres, o Capitão do Tri da Seleção Brasileira, na Copa de 1970.

Do pai, herdou a semelhança física, habilidade no refino à bola e sem esquecer das origens do saudoso pai, começou – assim como ele – na lateral direita do Fluminense, onde logo em seu primeiro ano como jogador profissional, sagrou-se campeão Carioca em 1985.

O mundo todo acompanhou o ‘tirombaço’ do ‘capitão do Tri’, o lateral direito Carlos Alberto Torres, no último gol da vitória do Brasil sobre a Itália, no dia 21 de julho de 1970, na final da Copa do México, e em seguida a cena do ‘Capita’ erguendo a Taça Jules Rimet.

Naquele dia, a milhares de quilômetros do Estádio de Guadalajara, um garoto de quatro anos acompanhava pela televisão da sua casa, em São Paulo, toda aquela festa, e não imaginava que 10 anos depois, ele estaria dando os primeiros passos, seguidos de muitos chutes e cabeçadas na bola, seguindo a trajetória de campeão e líder em campo como foi o pai tricampeão.

Nascido em agosto de 1966, Carlos Alexandre Torres, o Torres, herdou do pai a semelhança física, a habilidade no trato refinado à bola, assim como o ‘Capita’, se formou na lateral-direita da base do Fluminense, onde chegou em 1980 aos 13 anos, e depois de se destacar nas competições, estreou nos profissionais em 1985, sagrando se Tricampeão Carioca.

Seis anos depois, já com a Cruz de Malta no peito, tornou-se um dos grandes zagueiros do clube vascaíno, conquistando o inédito tricampeonato estadual em 1992/93/94.

No Japão, onde defendeu o Nagoya Grampus, pôde confirmar na ‘Terra do Sol Nascente’, o zagueiro técnico que foi e se tornou ídolo.

Jogou em apenas três clubes na carreira e construiu uma carreira respeitada, mesmo sendo convocado para a Seleção em seis oportunidades e jogado apenas 15 minutos.

Depois de seis anos, quando já havia trocado a lateral-direita pela zaga, o mundo da bola o levou para São Januário, onde conquistou o tricampeonato estadual de 1992/93/94 com a camisa vascaína, e se tornou ídolo da torcida.

O sucesso e o desafio por atuar num mercado de futebol em formação o levou para o Japão, onde defendeu o Nagoya Grampus, conquistando novos títulos.

Alexandre Torres jogou em apenas três clubes e construiu uma carreira respeitada, sendo convocado para a Seleção Brasileira em seis oportunidades, e acabou sendo prejudicado por três graves contusões.

Alexandre era o camisa 5 do Nagoya Grampus

Em homenagem ao Dia Nacional do Futebol, comemorado em julho, Alexandre Torres, conversou com a equipe do ‘Lado de Cá’ para a série Vozes da Bola.

Assim como seu pai, você começou no Fluminense. Você se lembra, à época que subiu ao profissional, de supostas comparações? Você também começou como lateral-direito ou já era zagueiro central

Eu joguei como meio campista logo que cheguei ao Fluminense, aos 13 anos. Nessa posição, ganhei títulos no infantil, juvenil e cheguei a jogar na Seleção Brasileira sub-17. Depois disso, nos juniores, passei para a zaga, mas eventualmente jogava como lateral-direito. O lateral do time principal (Aldo) sofreu uma fratura e joguei a Taça São Paulo como lateral, para servir de teste. Fui bem e subi para os profissionais como lateral.

Quem foi sua grande inspiração no futebol?

Nosso futebol, sempre foi muito rico, e meu pai, obviamente, foi a maior inspiração. Mas posso dizer que, na verdade, o próprio futebol brasileiro foi minha inspiração. Sempre aparecendo grandes jogadores, grandes jogadas, grandes times.

Quem foi seu principal orientador na sua trajetória, sem contar com seu pai, o eterno Capitão do Tri?

Tive várias pessoas importantes, especialmente no início da minha trajetória, na base do Fluminense. Ali foi uma grande escola onde aprendi muito sobre disciplina e profissionalismo.

Enquanto seu pai não jogou no Vasco dentre os grandes do Rio, você esteve em São Januário em duas oportunidades, antes e depois da sua passagem pelo futebol japones, sagrando-se tricampeão carioca, o único do Vasco no Estadual em todos os tempos? O Alexandre Torres, pouco falado ou lembrado, é um dos maiores zagueiros da história do Vasco? Afinal, também ganhou Brasileiro e Mercosul.

Eu tive ótimos momentos no Vasco e na verdade, sou tratado com muito carinho pelas pessoas do clube e seus torcedores. Não sou muito falado, é verdade, mas sei o que fiz quando joguei no Vasco, e sou muito bom pra me auto-avaliar.

O Campeonato Brasileiro de 1990, quando você fez a melhor dupla de zaga do Fluminense nos últimos 30 anos, ficou um gosto amargo após a eliminação para o Bragantino?

Tínhamos feito uma campanha ruim em 90, correndo até risco de rebaixamento, em 91, o time se acertou e fizemos uma ótima campanha. Poderíamos ter vencido o Bragantino, mas nosso time fez o seu melhor. Não tínhamos o melhor time do campeonato.

Quem foi seu melhor treinador?

Todos os treinadores foram importantes. Talvez, se fizessem essa pergunta enquanto eu jogava, minha resposta seria outra, mas tem um pouco de aprendizado extraído de cada um deles.

E o melhor companheiro de zaga?

Tive a sorte de jogar com grandes zagueiros. Alguns, foram os óbvios Ricardo Gomes, Válber e Ricardo Rocha. Mas outros zagueiros foram parceiros importantes também, como Vica, Jorge Luiz e Géder. O zagueiro Go Oiwa, que jogou comigo durante cinco temporadas no Japão foi um ótimo companheiro de zaga. Muito bom e me ajudou muito.

No último 19 de julho foi comemorado o Dia Nacional do Futebol. O que ele representeou para o Alexandre Torres?

O futebol é a minha vida. Eu nasci e o futebol do meu pai, sustentava a nossa família. E até hoje, é do futebol que eu sustento a minha. Já tentei sem sucesso fazer outras atividades, mas só no futebol me realizo.

Você acha que poderia ter tido mais oportunidades na Seleção?

Na época em que joguei, talvez tenha sido o período com o maior número de zagueiros de bom nível técnico. Nesse sentido, a disputa era grande e muito acirrada. Fui cortado de algumas convocações por motivo de contusão. Quando estive na Seleção, fui bem nos treinamentos e estava confiante. De umas seis convocações, consegui estar com o grupo em dois amistosos, e joguei 15 minutos em um deles. Na minha opinião, eu não era pra ter jogado 100 jogos pela seleção, mas também não era pra ter jogado apenas 1.

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