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sexta-feira, maio 24, 2024

Nos últimos anos, o sucesso da moeda Mumbuca, que completou dez anos de atividade em maio, se tornou outro fator que passou a atrair novos moradores para Maricá, que fizeram a população do município aumentar em mais de 54%, segundo os resultados do Censo 2022. A maioria desses novos habitantes veio de municípios próximos, como os da região metropolitana e da Baixada Fluminense, e até de fora do país buscando, além da qualidade de vida melhor, a chance de obter uma das nove modalidades de benefícios pagos por meio da moeda social.

Mas teve gente que conseguiu mais de um deles. O haitiano Guenson Etienne, de 34 anos, chegou a Maricá em 2012. Aqui ele conheceu e se casou com Andressa Miranda Neto, que tem a mesma idade que ele e também não é nascida na cidade (veio de Cachoeiras de Macacu). Eles administram uma pequena banca que vende doces que fica na Rua Barão de Inoã, no Centro. De 2018 para cá, a família é uma das poucas que dispõem de três benefícios: primeiro, Andressa passou a receber o programa Renda Básica da Cidadania, com R$ 200 mensais; em seguida, seu comércio começou a receber compras pagas com a moeda Mumbuca; e com o fechamento do comércio no início da pandemia da covid-19, em março de 2020, a família passou a receber o Programa de Amparo ao Trabalhador (PAT) e migrou para o atual Programa de Proteção ao Trabalhador (PPT).

“A Mumbuca virou um suporte importante para nós, porque garantimos alimentação para nós e nossa filha e, com o comércio, conseguimos comprar nossa casa e nosso carro”, revelou a comerciante, explicando que as vendas com a moeda social são responsáveis por 25% de seu faturamento. “Essa cidade é maravilhosa! Não nasci aqui mas hoje me considero maricaense”, afirmou Andressa.

Para Guenson, a garantia dos benefícios da moeda Mumbuca também proporcionam uma ajuda a mais. Com o que obtém no pequeno comércio, ele consegue mandar remessas mensais de dinheiro para a mãe e os três irmãos que ainda vivem na cidade de Gonaives, no Haiti.

“Minha mãe até reformou a casa dela lá com o que eu envio, mas não ia conseguir se não fosse esse suporte em Maricá. Hoje vivo bem aqui e só tenho a agradecer por tudo o que tenho hoje, parte disso graças à Mumbuca”, ressaltou o imigrante.

A Mumbuca em números e projetos

Os números confirmam o gigantismo que a Mumbuca vem protagonizando nesses anos. Somente o programa Renda Básica da Cidadania, o primeiro a ser implementado em 2013, são hoje 42,5 mil beneficiários recebendo R$ 200 mensais. No recém-criado Programa de Proteção ao Trabalhador (PPT) são 15 mil trabalhadores autônomos e microempreendedores individuais (MEIs) inscritos recebendo R$ 650 ao mês, mesmo valor pago a seis mil servidores municipais da administração direta e indireta, a título de auxílio alimentação.

De acordo com a Secretaria de Habitação e Assentamentos Humanos, 218 famílias realocadas de áreas de risco geológico ou que tiveram de sair de construções irregulares recebem o benefício da locação social, que já movimentou cerca de R$ 340 mil. Há ainda programas sazonais como o Auxílio Recomeço, que ajudou cerca de três mil pessoas que perderam móveis e eletrodomésticos em razão da enchente de abril do ano passado, com valores até R$ 5 mil, e que pode voltar a ser acionado em caso de novos transtornos climáticos, por exemplo.

Durante a pandemia da covid-19 e também por conta da enchente de abril, parte da população recebeu o Programa de Amparo ao Trabalhado (PAT), que teve parte dos beneficiários migrando para o PPT e empresários receberam o Programa de Amparo ao Emprego (PAE), que ajudou a manter a economia local circulando e ainda gerar empregos num período marcado por demissões em massa. A Mumbuca ainda ofereceu microcrédito com taxa de juros zero, que também começou em 2013 e movimentou cerca de R$ 1,8 milhão, com 255 contratos ativos de crédito atualmente. Também estão a caminho outros programas como o MumbuCar (para taxistas, mototaxistas e entregadores, já com inscrições abertas), o MumbuCão (para cuidadores de animais) e um terceiro voltado a mulheres vítimas de violência.

“Hoje quando você fala em Maricá, automaticamente se refere à Mumbuca. Já faz parte do dia a dia da nossa cidade e até quem não recebe a moeda também fala dela. Nós temos outros projetos e ideias mais ambiciosas que contemplam o pilar de universalização da moeda social, mas isso depende de uma série de garantias”, afirmou o secretário de Economia Solidária de Maricá, Adalton Mendonça.

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