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domingo, maio 26, 2024

Lição de Vida: Jogador amputado supera barreiras e vira exemplo para jovens atletas

A classe, os movimentos coreografados, precisos, e a habilidade com a bola do representante de telecomunicações Benigno da Silva Ribeiro Pinto, de 29 anos, chamam a atenção de quem passa no bairro Pracinha Tarcísio Miranda, em Campos dos Goytacazes.

Mas as partidas de futevôlei entre amigos tem uma peculiaridade a mais que deixa os espectadores assustados, à primeira vista, e encantados no decorrer das horas.

Benigno teve a perna esquerda amputada em um acidente de trânsito. Mas a deficiência não o impede de ser um craque. Os títulos comprovam isso: no seu currículo, ele tem um vice-campeonato brasileiro de futevôlei e de futebol para amputados, além de um campeonato na Taça de Verão, organizada pela Prefeitura de Rio das Ostras, em 2019, e na Taça das Favelas, em 2020.

“Eu comecei a praticar futevôlei em 2017, depois de ter perdido a perna num acidente um ano antes. Por paixão ao futebol que eu jogava na época de adolescente, eu me interessei em aprender esse esporte apaixonante que mudou a minha vida”, contou Benigno ao Lado de Cá.

Morador do bairro Martins Lage, a 7,6 km do Centro de Campos, Benigno fica triste quando as pessoas sentem pena dele.

“Não tem essa de me vitimizar de pobre coitado por causa do acidente. Eu vivo como todo mundo e faço o que uma pessoa normal faz. Já trabalhei como ajudante de pedreiro, capinei quintais de casas vizinhas, já fiz faxina, dirijo, ando de bicicleta, ou seja, tenho uma vida normal”, ressaltou.

Fã de Ronaldinho Gaúcho, Benigno foi um meio-campista habilidoso que vestiu as camisas 5, 7 e 8 do Martins Lage, Cambaíba, Barcelos, Miguel Eredi e Bezamar, times amadores de Campos, antes de tentar a sorte no futebol profissional.

“Não deu. Mas faltou oportunidade de sair da minha cidade e ir além das várzeas onde sempre joguei”, ele se conforma.

O conformismo é o mesmo ao mencionar o acidente. Trauma que deixou uma lição: “Meu nome é Benigno porque sou do bem”. Ele sempre diz isso ao lembrar que não processou nem guardou mágoa do taxista, que perdeu o controle da direção com o estouro de um dos pneus e colidiu contra a moto pilotada pelo jogador quando ele voltava de Campo Novo, na BR-356, na Quarta-feira de cinzas de 2016.

No entanto, ele conseguiu por meio do futebol de amputados conquistar títulos e o reconhecimento, o que ainda não foi suficiente para conseguir comprar uma prótese, que custa em média R$ 30 mil.

“O Benigno, que também é conhecido como Júnior, desenvolve bem o futebol e está alcançando o sucesso por seu merecimento e sua dedicação. É um garoto muito dedicado, tendo inclusive participado de campeonatos brasileiros de futebol de amputados, representando bem a sua terra”, elogia Angel Morote, de 58 anos, presidente da Federação de Amputados de Rio das Ostras (Faro).

“Esperamos que ele consiga conquistar mais e mais no futebol”, completou.

“E é por essa paixão que decidi fazer uma vaquinha virtual para conseguir arrecadar uma quantia para comprar minha tão sonhada prótese. Por favor, me ajudem!“, pede o campeão, lembrando que luta há cinco anos para comprar a prótese não somente para andar melhor, mas também para se aperfeiçoar na sua grande paixão que é o esporte.

Quem puder ajudar o Benigno com doações para o seu sonho, pode acessar o seguinte link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/protese-para-o-amigo-benigno-futevolei

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