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terça-feira, julho 23, 2024

Escritor do ‘lado de cá’ lança segundo livro no Teatro Popular: veja entrevista exclusiva

Lançamento acontece nesta quinta-feira, 8 de agosto, às 18h, no Teatro Oscar Niemeyer, Centro de Niterói

 

Há cerca de 10 anos no cenário cultural e literário de Niterói, o escritor, professor e produtor cultural Jordão Pablo de Pão, de 31 anos, ocupante da Cadeira 13 da Academia Niteroiense de Letras, vai lançar nesta quinta-feira, 8 de agosto, seu segundo livro, ‘Café Quente’, pela editora Itapuca.

 

O lançamento acontece às 18h, no Teatro Popular Oscar Niemeyer, no Centro de Niterói. A obra é composta por poemas, minicontos e crônicas inspirados na leitura das obras de Clarice Lispector.

 

Com entrada gratuita, o evento terá microfone aberto para os artistas presentes e marcará também o lançamento da segunda edição de “O Mar do Meu Velho”, livro de estreia do autor.

 

“O escritor de literatura precisa mergulhar em si, beber de sua individualidade e se perceber como essência. Desta mística do que somos, a arte vive, das nossas necessárias horas de estrela”, diz Jordão.

 

O endereço do Teatro Popular Oscar Niemeyer é Rua Jornalista Rogério Coelho Neto, s/nº, Centro. A classificação é livre.


Veja agora a entrevista exclusiva que o autor concedeu ao Portal Lado de Cá:

“E aquele conselho mais básico: nunca crie expectativas, apenas se permita, escritor”

#Ladodecá – ‘O Mar do Meu Velho’ é uma homenagem a seu pai? Conte um pouco sobre o que te inspirou a escrevê-lo.

Jordão – Esta obra é um verdadeiro tributo à importante influência que meu pai exerceu na formação do meu caráter. Numa época em que muito se fala sobre o advento do feminismo e da ausência da figura paterna, resolvi retirar do luto força para cantar o amor entre um filho e um pai atuante. Para isso, mergulhei no estudo e na leitura de muitas versões e abordagens sobre o mar, que aprendi a amar através dele. Na humildade e na sabedoria deste meu Jordão, pescador semianalfabeto, minha verve se construiu. Foi uma das formas que encontrei de dizer minha gratidão a ele.

#Ladodecá – Sobre o ‘Café Quente’, quanto tempo levou para concluir o livro?

 

Jordão – Foi bem rápido para organizá-lo. Para escrever esta obra, demorou um tanto, já que os textos são ressonâncias da obra de Clarice na minha vivência literária. Ler Lispector fez muita diferença na forma como encaro a existência, o ser humano e a literatura.

 

#Ladodecá – Por que este título? Existe uma teoria de que grandes escritores e jornalistas são viciados em café. É verdade? Você também gosta de café quente?

Jordão – Esse título surgiu organicamente, inspirado por um trecho de “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, em que o narrador apresenta Macabéa, a protagonista, como “café frio” por ser uma personagem sem muita força de ação, algo incomum em nossa literatura. Como meus textos desta obra são iniciados na experienciação da literatura clariceana, eles tem verve, são do movimento criativo e dialogativo com o leitor. Como doses de café, os textos curtos são uma instigação com o leitor do meu livro. /// O vício em café parece ser algo bem comum mesmo. Vários textos do livro celebram o café, suas nuances e seus usos sociais. Café e bolo quente são a minha combinação favorita no mundo.

 

#Ladodecá – De onde vêm suas ideias? Você tem hábitos para se manter sempre criativo? Se sim, quais são?

 

Jordão – Sou um curioso pela existência humana, adoro ouvir e contar histórias. Acho a comunicação humana a experiência mais rica. Não se furtar do outro, da sua influência pode ser um caminho de crescimento. Procuro não represar minhas ideias, minhas experiências, meus fracassos. Cada emoção a seu tempo, cada evento com suas ressonâncias. Olhar para o ciclo do existir sem romantizações e aceitando os desafios que vierem.

 

#Ladodecá – O que você diria a si mesmo se pudesse voltar ao processo de criação do primeiro livro? Mudaria alguma coisa?

 

Jordão – Nada. Amo as marcas e a evolução que o tempo nos faz registrar. O processo de amadurecimento de um autor está testemunhado nas edições de seus livros. Ainda hoje leio “O Mar do Meu Velho” e vejo seu valor literário, por isso não mudaria algum de seus traços. Diria, ainda, que especialmente este primeiro livro fala muito de mim, com minha identidade artística pulsando, o que me faz gostar até dos aparentes defeitos dele.

 

#Ladodecá – Além de Clarice Lispector, quais autores nacionais você mais admira e tem como referência?

 

Jordão – Adoro a literatura que transborda verdade. Leio Graciliano e Guimarães Rosa como mestres de uma toada toda deles; leio a aristocracia de Raul Pompéia como o menino à porta do Ateneu; leio a categoria de Caio Fernando Abreu, Hilda Hilst e Carpinejar com as palavras e as imagens multisensoriais como quem entoa o mantra de Clarice, com devoção. Se falarmos de Niterói e da literatura local, Beatriz Chacon me dá dimensão e alimento criativo, Cyana Leahy me dá o cuidado e a valorização de cada palavra poética.

 

#Ladodecá – Por que escolheu a editora Itapuca para editar seu segundo livro? E como está sendo esse processo/parceria?

 

Jordão – A editora Itapuca me convidou por conhecer meu trabalho como produtor cultural e após a equipe ter lido a primeira edição de “O Mar do Meu Velho”. Sou um fã do modo atencioso e afetuoso com que a equipe me recebeu e trata meu texto, minha arte. Estou muito feliz por termos, eu e eles, uma visão muito parecida e muito dialogativa do que estamos fazendo; é a nossa verdade.

 

#Ladodecá – Que recado você deixa para jovens escritores que buscam ‘um lugar ao sol’ no cenário literário no Rio de Janeiro, em especial em Niterói e região?

 

Jordão – Coloquem-se no mundo, experienciem. Criar uma dinâmica de escrita faz com que se desenvolva as capacidades criativas, criar uma dinâmica de ida a eventos literários faz com que se enriqueça o repertório e as possibilidades da palavra literária falada. E aquele conselho mais básico: nunca crie expectativas, apenas se permita, escritor. Tendemos a achar que não está bom, mas pratique o auto-perdão. Tudo é evolução. Faça o que estiver ao seu alcance. Deixe a obra se desenhar e seja sensível aos limites da escrita, a obra tem limite de elasticidade artística; a obra se faz, não a force.

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