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quinta-feira, maio 30, 2024

Jovem de São Gonçalo é o 78º preso injustamente no Rio em dez anos

O pai afirma que o filho é uma pessoa tranquila e querida no bairro, além de ser monitor de música no Colégio Municipal Estephânia de Carvalho (Foto: Álbum de família)

Um relatório feito pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro apontou que, entre 2012 a 2020, 73 pessoas foram presas injustamente no estado. No ano de 2021 até o primeiro trimestre de 2022, mais cinco casos. Desses, 81% eram pessoas negras que não tiveram como se defender. “Direito de defesa é o princípio que estabelece que todos têm à observância do pleno acesso à Justiça. Meu filho, preso injustamente, não foi o primeiro e nem vai ser o último. O que não dá é para aceitarmos isso como se fosse normal”, diz o músico Marcos Gomes Carlos, de 48 anos, pai de Caio Telles Guimarães, de 20, preso minutos após ter saído de casa no dia 22 de fevereiro para ajudar um amigo que realizava uma mudança no Laranjal em São Gonçalo.

Indignado, o pai do rapaz relata que uma câmera de segurança do bairro em que o acusado vive, contradiz a versão da polícia, pois mostra Caio chegando em casa de madrugada, após uma festa, no dia 22, e deixando a residência, posteriormente, às 13h30. Os parentes pedem Justiça, denunciando o que apontam como mais um caso de negro sendo preso injustamente, um reflexo do racismo estrutural no estado do Rio de Janeiro e no Brasil.

“Minha ex-mulher esteve no local em que os policiais do Segurança Presente abordaram meu filho, e perguntou três vezes para a vítima se ele reconhecia o Caio como sendo o autor do crime e ele respondeu que não poderia afirmar ter sido o meu filho o responsável pelo roubo da moto”, contou.

No entanto, o pai do jovem acusa os policiais de terem agido de forma truculenta com o filho – há registros de agressão – e achou estranho quando soube que um dos policiais chamou a vítima em um canto e conversou com ela alguns minutos.

“Na 74ª DP, a vítima afirmou que o meu filho era o responsável pelo roubo. Como pode se minutos antes ele não tinha certeza de quem o assaltou e depois afirmou ser Caio o ladrão?”, questiona lembrando que o GPS do celular do filho também indica a distância percorrida pelo jovem entre a casa dele e a Rua Gregório de Matos, onde foi preso, distante um pouco mais de 1 km da Rua David Campista, endereço do roubo.

O LADO DE CÁ entrou em contato com o advogado Douglas de Assis, que representa Caio, que falou sobre o caso.

“Ele foi transferido para o presídio Evaristo de Moraes que fica em São Cristóvão e já na segunda-feira (07) iremos entrar com o pedido de revogação de prisão, utilizando as imagens de câmeras que mostram que na hora do crime ele estava dentro de casa, além do GPS do próprio celular dele que fica evidente que meu cliente sequer esteve perto da RJ-104, bem como a conduta de vida ilibada, bons antecedentes, residência fixa e jamais teve qualquer envolvimento em ato ilícito. No mais, acreditamos que a Vara Criminal de São Gonçalo irá revogar essa prisão”, revelou.

Perguntado se a família irá processar o Estado, o advogado afirmou que os familiares querem que esse pesadelo termine o mais rápido possível: “Ainda não pensamos nisso, estamos focados na liberdade dele, no entanto, não está descartado a hipótese”, finalizou.

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