Entrevista: Comandante do 7° BPM, Gilmar Tramontini fala sobre a queda de criminalidade em São Gonçalo

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro conta hoje com mais de 49.500 homens espalhados por 92 cidades e distribuídos em 42 batalhões. Desde que assumiu o comando do 7° Batalhão da Polícia Militar (BPM), em São Gonçalo, em julho do ano passado, o tenente-coronel Gilmar Tramontini, recebeu muitos elogios da população pela atuação à frente da corporação.

Para diminuir a criminalidade em um dos municípios mais perigosos do estado, Gilmar reforçou, de imediato, o patrulhamento nas ruas e promoveu diversas operações em áreas consideradas de maior incidência de crimes, aumentando a sensação de segurança na região, e mantendo a importante tendência de redução da chamada ‘mancha criminal’, consolidada e refletida nos mais recentes números do Instituto de Segurança Pública (ISP).

As iniciativas do novo comandante deram certo. No primeiro ano à frente do batalhão indicadores estratégicos como roubos de rua (-37,4%), veículos (-44,7%), cargas (-33%), a pedestre (-36,5%) e em coletivos (-39,8%) registraram quedas significativas. Outros índices preocupantes para a população, como homicídios dolosos (-8,4%) e tentativas de homicídio (-37,7%) também foram reduzidos, o que indica que os primeiros passos foram dados para que a cidade de São Gonçalo deixe de ser um local conhecido pela violência.

Na manhã desta quarta-feira (26), o Comandante Tramontini recebeu o Portal Lado De Cá no 7° Batalhão da Polícia Militar, em Alcântara, e falou com exclusividade sobre seu trabalho à frente da instituição. “O 7° Batalhão da Polícia Militar tem uma origem histórica importantíssima e estamos trabalhando para resgatar isso nesta unidade na cidade de São Gonçalo”, disse.

Lado de Cá

Ser Comandante é uma tarefa inglória, e ser Comandante de um batalhão com um passado manchado por tantos escândalos, como o 7° Batalhão da Polícia Militar, deve ser mais difícil ainda. Como tem lidado com essa desconfiança por parte da população?

Gilmar Tramontini

Ser Comandante para mim é uma tarefa gloriosa. Desde que assumi o 7°Batalhão da Polícia Militar, fiz isso com a convicção de que eu não olharia para trás e nem comentaria nada anterior ao meu comando, ou seja, nenhum dos possíveis erros ou mazelas que possam ter ocorrido aqui. Então, a minha certeza é essa. O 7° Batalhão da Polícia Militar, é um batalhão de extrema importância na estrutura da corporação, é um batalhão com uma origem histórica importantíssima, sendo o primeiro batalhão de caçadores, além de, ter sido essa a filosofia de trabalho que a gente implementou. Resgatar essa história e resgatar a mística e a importância da unidade.

Lado de Cá

O senhor assumiu em julho do ano passado, o comando do 7° BPM, substituindo o coronel Ronaldo Martins Gomes da Silva. Qual o legado deixado por ele e qual o seu maior desafio até aqui?

Gilmar Tramontini

Falar do maior legado deixado por outro Comandante é complicado, mas tenho a convicção que o Comandante Martins fez um excelente trabalho aqui. Fez uma boa transição, que, para mim, foi sem ruído, transição normal, uma movimentação administrativa por parte do comando da unidade, então, eu acho que foi extremamente importante essa transição sem nenhum tipo de crise. O maior desafio é, a cada dia, conseguir atingir as metas que a corporação coloca, e, mais do que as metas puras e simples, em números frios, é a gente conseguir criar na população o sentimento de segurança em São Gonçalo.

Lado de Cá

Em sua apresentação o senhor disse que três eram seus objetivos: uma força-tarefa para o Complexo do Salgueiro, a captura dos principais traficantes da cidade e a identificação de eventos irregulares nesses locais, como os bailes funk. Qual desses objetivos o senhor alcançou nesses treze meses de trabalho neste batalhão em São Gonçalo?

Gilmar Tramontini

Na verdade, era a manutenção dos números das metas no verde. A questão dos bailes funk era uma atividade que eu teria que perpassar certos obstáculos para atingir esses lugares. Dos objetivos que você se refere, eu consegui os três. No Complexo do Salgueiro, na nossa administração, que deixou de ser uma área que o batalhão não operava, as operações até a restrição da Suprema Corte eram rotineiras. Foi um dos locais onde a gente mais prendeu marginais e mais apreendeu fuzis em São Gonçalo. Os números do 7°BPM estão todos no verde e o ‘3N’, com toda sua quadrilha, morreu em confronto conosco. Da minha parte, aquilo que me foi dado como missão, foi 100% de êxito.

Comandante completou recentemente um ano à frente do batalhão

Lado de Cá

O senhor possui cursos inerentes à Segurança Pública em diversos países e fala fluentemente inglês e espanhol. Sua corporação tem entendido as ordens de seu comando no que diz respeito ao combate à criminalidade?

Gilmar Tramontini

Sim, sem dúvidas. Se eles não tivessem entendido, eu não estaria aqui há um ano e um mês. Na verdade, não é a corporação me entender, eu que entendi o que a corporação desejava naquele momento, e faço o plano de Segurança Pública da corporação, e não o meu plano. Eu sou um soldado, eu cumpro ordens, e a política de Segurança Pública ditada pelo governador e as missões dadas ao secretário da PM, são passadas e eu cumpro ordens.

Lado de Cá

Em março desse ano, precisamente no dia 2, o 7° BPM, sob seu comando, tirou 20 toneladas de entulhos no Jardim Catarina, desobstruindo seis ruas do bairro. Essas operações continuam acontecendo mesmo com essa pandemia do Coronavírus? E qual o saldo dessas operações?

Gilmar Tramontini

A retirada de obstáculos em vias públicas aqui na área do 7°BPM é diária. Diariamente. A gente retira um número expressivo de todo material que é colocado como obstáculo. Isso não é uma atividade de uma vez ou outra, ela é diária.

Lado de Cá

São Gonçalo é o segundo município mais populoso do Estado, mas campeão em denúncias, principalmente em se tratando de barricadas. Pra se ter uma ideia, de março a julho deste ano, segundo o Disque Denúncia, a cidade teve 460 registros das pouco mais de mil denúncias sobre barricadas. Como chegam essas denúncias aqui para o senhor e como é feito o planejamento das operações para retirada delas?

Gilmar Tramontini

Lutar contra barricada é algo bastante complexo e que carece de uma discussão multidisciplinar e muito maior que a mera fala do Comandante da unidade. Eu tenho um entendimento muito particular em relação a isso. O simbolismo de uma barricada, seja ela de toneladas de entulhos ou um saco de lixo, colocado em uma região dessa, carente e oprimida, tem o mesmo significado, ou seja, o morador não vai passar e terá medo de retirar. O importante, no que diz respeito a esse tema, é que a Polícia Militar abraçou mais esse ônus e tem feito isso diariamente. Em alguns locais, essas retiradas são simples e o batalhão tem feito isso, e em outros lugares, requer um aparato maior para a segurança dessas retiradas, e aí demanda mais um pouco de planejamento. Mas volto a dizer, é uma atividade diária.

Lado de Cá

Recentemente o senhor fez um levantamento interessante em relação à criminalidade. Segundo o senhor, São Gonçalo foi a cidade que apresentou maior redução nos índices de crimes no mês de março, como roubo de rua e de veículos, queda de mais de 50%, e de cargas, 80%, em comparação com outras cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O que o senhor atribui números expressivos e ao mesmo tempo tão surpreendentes? E hoje, qual é a realidade de São Gonçalo?

Gilmar Tramontini

Todos nós do 7°BPM, estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados. Por exemplo, se a gente fizer uma comparação desse período de um ano com o mesmo período que nos antecedeu, nós temos uma redução em 34,4% do roubo de rua, 44,7% no roubo de veículos, 33% no roubo de carga, 53,5% em estabelecimentos comerciais e diversos outros índices. Se a gente pegar de janeiro até hoje, em números absolutos em roubo de rua, o 7°BPM é o campeão, com menos 3.402 casos, e em roubo de carga, o 7°BPM é o campeão também, são menos 281 casos, e em roubo de veículos, o 7°BPM mais uma vez é o campeão disparado, com menos 1.676 casos, enquanto o segundo colocado reduziu menos 756 casos. Quer um outro parâmetro? Em maio de 2018, São Gonçalo registrou 658 roubos de veículos, e em maio desse ano, apenas 134; em julho de 2018, 479 carros foram roubados, e em julho de 2019, 411, e julho desse ano, apenas 164; ja em roubo de rua, em maio de 2018, foram 1.226 casos, e em maio de 2020, apenas 391. Os números estão aí e são dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), e são números abissais, porém, o importante não são apenas os números. O mais importante para o 7°BPM, é que a população esteja sentindo essa redução. Se a gente sai na rua e qualquer cidadão gonçalense diz que a cidade melhorou, a gente venceu a guerra. Porque são números que não são de domínio público e nos dão essa percepção de segurança. Alguém tem ouvido falar ou presenciado que os traficantes estão roubando carros ou caminhões na BR?

Lado de Cá

Qual a mensagem que o senhor deixa para a população de São Gonçalo em relação à Segurança Pública?

Gilmar Tramontini

A população tem que confiar no trabalho dos órgãos, das instituições, e no trabalho do 7°BPM, o ‘Batalhão de Caçadores’, que já deu demonstrações de que ele é um aparato estatal necessário e confiável.

Tramontini em ação pelo 7º BPM
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