Empreendo ou compro uma bicicleta?

Eu confesso para você: tenho cisma com o termo “empreendedor”. Embora eu viva cercado de pessoas empreendedoras – e eu mesmo seja uma delas – essa palavra, de tão mal usada, já me dói os ouvidos.

De um lado, a palavra vem sendo usada para descrever pessoas que, para garantir sua subsistência, começam a trabalhar como motoristas ou entregadores de aplicativos. Para valorizar o esforço sobre-humano desses trabalhadores, é mais fácil chama-los de empreendedores do que dar a eles condições dignas de trabalho e renda.

No extremo oposto, “empreendedorismo” remete a jovens millennials que abrem startups com o dinheiro dos pais. Não há necessariamente nenhum demérito nisso. Se você tem ética nos negócios, está criando empregos, trata bens seus funcionários e tem compromisso social, pouco importa se nunca na vida pegou um trem. Mas essa imagem do empreendedor nutella deixa de lado alguns milhões de pessoas com muitos milhões a menos no banco.

Uma das definições mais comuns de empreendedorismo diz que é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e esforço, assumindo riscos em troca de satisfação econômica e pessoal. Olhe a sua volta, pense nas suas amizades e procure se lembrar de quantas pessoas você conhece que já fizeram exatamente isso. Lembre-se daqueles que, em algum momento, tiraram da caixola a ideia de abrir um salão de beleza na garagem de casa ou de fazer chocolate artesanal para vender na Páscoa.

Mesmo que por necessidade, essas pessoas criaram algo novo de fato. Não se trata de modelos de negócios super inovadores, mas de iniciativas que não existiriam se não fosse pela vontade que cada um teve de tentar traçar um novo caminho, mesmo que de maneira informal.

Uma das coisas mais gratificantes do meu trabalho é a oportunidade de conviver com pessoas que começaram exatamente assim e que hoje comandam grandes empresas do Brasil e do mundo. Me refiro ao ex-feirante que construiu uma marca líder no seu segmento, ao ex-morador de rua imigrante que hoje tem mais de 1000 lojas nos Estados Unidos, ao professor de idiomas que empreendeu depois dos 50 e hoje curte a aposentadoria viajando o mundo…

Do convívio com eles, que começaram do zero, tiro duas lições importantes que compartilho com você hoje.

Não menospreze o negócio alheio

Se alguém me conta uma ideia de negócio, eu não tenho absolutamente nenhum meio de julgar se ela é boa ou ruim. Toda iniciativa empreendedora é digna de ser planejada, analisada, testada para – só então – alguém dizer se deu certo ou não.

Alguns dos empreendedores mais bem sucedidos que conheço não teriam sequer começado se tivessem dado ouvidos a todas as pessoas que disseram que não ia dar certo.

Da mesma forma, aquele seu vizinho que da noite para o dia resolveu vender sacolé movido unicamente pela força do desespero pode bem ser capa da Pequenas Empresas Grandes Negócios daqui a uns 10 anos. Na dúvida, custa nada dar uma moral para ele.

Duas coisas que você precisa para empreender

Se eu lhe perguntar quais são as duas coisas que você precisa ter para empreender, a sua resposta muito provavelmente começará com “dinheiro e…”.

Errou feio. Muitos negócios começam com muito pouca grana ou com dinheiro emprestado de amigo ou parente. Mas eu duvido que alguma vez na história do capitalismo uma empresa tenha começado sem INICIATIVA. Empreender é uma atitude. Não é algo que acontece sem querer. Portanto, se você realmente quer empreender, dê o seu primeiro passo hoje mesmo.

Muitos empreendedores que conheço não são os empresários mais inteligentes, nem os melhores vendedores, nem têm os melhores produtos ou serviços. Mas uma coisa, além da iniciativa, todos têm em comum: insistência.

Não existe fórmula mágica para empreender. O que há é um processo contínuo de agir e aprender com os erros e acertos para então agir de novo. Na sua jornada empreendedora, você não vai acertar em tudo. É assim mesmo! É como andar de bicicleta: você só vai aprender se encarar o risco de levar uns tombos.

E aí, vamos pedalar?

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