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terça-feira, maio 28, 2024
Fotos: Rio de Paz e Beatriz Domingos/Movimenta Caxias

Parentes e amigos das primas Rebecca Beatriz Rodrigues Santos, de 7 anos, e Emilly Victoria da Silva Moreira Santos, de 4, mortas por balas perdidas no último dia 5, participaram de um culto na tarde deste domingo (27).

A celebração foi numa rua perto de onde elas foram assassinadas enquanto brincavam na porta de casa, em Gramacho, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Testemunhas relataram que, no momento em que elas foram baleadas, policiais militares perseguiam dois criminosos em uma moto e houve tiroteio.

“Elas estão com Jesus, na Glória, mas deixam uma dor dentro de nós. Eu sei que há uma angústia nesse peito, no coração dessas famílias, mas o Senhor tem sustentado essa família”, disse Rosângela, pastora da igreja que a família das crianças frequenta e da qual Emily e Rebeca também iam.

A ONG Rio de Paz, Movimenta Caxias e PerifaConnection estiveram presentes na celebração religiosa. Os grupos estão apoiando a família desde o início dessa tragédia.

Para João Luis Silva, articulador social e mobilizador político do Rio de Paz, a celebração foi um recado para o movimento cristão, principalmente evangélico, para aqueles que defendem a política de segurança pública baseada no extermínio.

“Esse culto em memória da Emily e da Rebeca passa um recado para o movimento cristão evangélico. Pastores que estão nadando no dinheiro não devem se preocupar apenas com o consumo de álcool e de tabaco e mesmo com a sexualidade das pessoas, que eles não sejam somente fiscais do sexo alheio, que eles se importem com a vida e com a vida, sobretudo, de crianças, crianças essas que eram do segmento evangélico. Nós não vimos nenhum pastor desses renomados, ligado ao governo, à política de segurança pública, que fomenta o confronto e extermínio, se posicionando em relação à morte da Emily e da Rebeca. Espero que esse evento seja um divisor de águas no segmento cristão evangélico, principalmente para essas pessoas que seguem esses líderes evangélicos que se aproximam dessa politica de morte”, disse João.

“Hoje, presenciamos algo extraordinário. Uma família que perdeu suas crianças de forma brutal exercendo a fé. Em meio ao luto buscando consolo, buscando justiça e esperança. A família de Emily e Rebeca junto a movimentos locais organizaram um culto em memória das meninas, uma forma de manter viva a lembrança delas, mas também de encontrar algum nível de esperança que transcenda este mundo tão injusto e tão desigual e cruel, que mata crianças de maneria covarde”, ressaltou Lucas Louback, coordenador de projetos do Rio de Paz.

HOMENAGEM

Duas placas improvisadas com os nomes de Emily e Rebeca foram colocadas pelo Rio de Paz na Lagoa Rodrigues de Freitas, na Zona Sul do Rio, onde a ONG tem uma instalação permanente com nomes de crianças e policiais mortos vítimas da violência. Assim que as originais ficarem prontas, as placas improvisadas serão substituídas.

 

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