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domingo, maio 26, 2024

Compostagem de corpos humanos: Fim da ‘máfia’ dos cemitérios de SG e região?

Cemitério de São Miguel, em São Gonçalo, abandonado com sepulturas e caixões expostos

Esqueça aquela cena horrível de você visitar o túmulo de um familiar nos cemitérios de São Gonçalo, Niterói e região e encontrar covas abertas com ossos expostos, num claro descaso com a famílias dos mortos e também uma ameaça à saúde pública. Uma empresa dos Estados Unidos, a Recompose, promete, já a partir de 2021, oferecer serviços de compostagem dos corpos humanos, o que pode acabar com a ‘máfia’ que age em cemitérios de São Gonçalo e região.

A tecnologia adotada na compostagem dos corpos humanos se assemelha a utilizada em aterros sanitários com lixo orgânico, mas pode ser uma alternativa para que usemos o material obtido com a decomposição natural dos corpos de entes queridos para adubar nossos jardins, uma forma de torná-los presentes em flores e frutos.

De acordo com Katrina Spade, uma das responsáveis pelo projeto, o objetivo oferecer uma alternativa ecológica e menos danosa ao meio ambiente do que a utilizada secularmente nos países ocidentais, através da cremação e enterros em cemitérios. A popularização da compostagem humana, segundo seus desenvolvedores, vai evitar a poluição de lençóis freáticos causados pela contaminação de solos de áreas próximas a cemitérios, além de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), gerados no processo de cremação dos corpos. Outra indústria ser atingida pela popularização da técnica seria a da fabricação de caixões, poupando o corte de muitas árvores.

A diarista Fátima Bezerra dos Santos, 35, moradora do Jardim Catarina, que perdeu o pai há cinco anos e costuma visitar o túmulo dele, pelo menos cinco vezes ao ano, sempre em datas específicas como aniversário, dia da morte e dia de Finados, afirma que gostaria de conhecer melhor essa técnica, pois a forma que são tratados os mortos nos cemitérios de São Gonçalo é desrespeitosa.

“Fui visitar o túmulo do meu pai no dia de Finados no São Miguel e encontrei o cemitério abandonado. Eles fazem aquela maquiagem, mas vi muita gente reclamando de sepulturas abertas e abandonadas. Acho que seria muito legal ver os restos mortais de meu pai servirem de adubo para um jardim no quintal da minha casa”, afirmou Fátima. 

No site da Recompose, os administradores explicam que o corpo é colocado numa urna de madeira reciclável, onde é coberto com alfafa, feno e outros produtos que mantenham o ambiente arejado. Isso possibilita uma aceleração do processo de decomposição de todo o material orgânico, diferentemente da ação das bactérias se o corpo tivesse sido enterrado num caixão e num túmulo de cimento como num cemitério.

No descritivo do processo, a Recompose explica que a decomposição do corpo dura alguns meses, podendo variar de uma pessoa para outra, e que após esse tempo os familiares poderão recolher o material orgânico gerado ou deixá-lo sob a responsabilidade da empresa, que o levará para uma área de conservação. “Permitir que processos orgânicos transformem nossos corpos e os de entes queridos em algo útil ao solo, vai ajudar a fortalecer nosso relacionamento com os ciclos naturais, enriquecendo a terra”, diz um dos trechos da justificativa do projeto.

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