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sábado, julho 13, 2024

Metalúrgicos protestam para receber 12 mil rescisões trabalhistas aguardadas há sete anos

Metalúrgicos do Rio, São Gonçalo, Niterói e de outras cidades da Região Metropolitana protestam, na manhã desta segunda-feira (04-07), em frente à sede da Petrobras, no Centro do Rio. Eles lutam há sete anos para receber 12 mil rescisões trabalhistas homologadas pela Justiça mas que as empresas que prestaram serviços para Petrobras (incluindo as obras do Comperj, em Itaboraí) insistem em não pagar, somando um total de cerca de R$ 18 milhões em dívidas com os trabalhadores.

“Além da indignação, me sinto largado, um lixo. A gente nem deveria ter contratado advogado para receber o que é nosso direito há muito tempo. Na época (2015), só recebemos parte do fundo de garantia para dar entrada no seguro-desemprego e só. Isto tudo é muito ruim não só pra mim mas para todos os meus colegas que estão na mesma situação”, contou Sebastião Costa, de 62 anos e que trabalhou 34 em estaleiros, sendo 22 deles na última empresa.

O metalúrgico, que trabalha atualmente como motorista de aplicativo para pagar as contas, ainda vive um drama pessoal. Ele ainda não conseguiu se aposentar apesar de já ter 38 anos de contribuição ao INSS.

De acordo com o engenheiro naval Ivo Dworschak, a Comissão de Metalúrgicos que representa os trabalhadores entrou recentemente com uma petição no Ministério Público Federal (MPF) para uma solução para o impasse.

“Como a comissão não é constituída como pessoa jurídica, foi proposto que o MPF intervenha a favor dos trabalhadores solicitando ao governo federal que o fundo de Marinha Mercante seja usado através de um financiamento do BNDES para as empresas pagarem o que devem”, explicou o engenheiro que faz parte da comissão por sua origem como metalúrgico.

“Na prática, o BNDES executaria uma hipoteca de 2° grau contra os ativos das empresas, o que permitiria que o banco pagasse todas as rescisões e buscasse compensar com as empresas devedoras. Estamos pedido também que a Petrobras (diretamente envolvida e beneficiária das obras executadas) avalize a operação como fiador”, completou o engenheiro.

As empresas foram fechadas por conta dos contratos encerrados com a Petrobras, em decorrência dos escândalos de corrupção da operação Lava Jato. Calcula-se que, entre 2014 e 2016, mais de 30 mil empregos tenham sido perdidos na indústria naval.

A Comissão de Metalúrgicos deseja que, num segundo momento após o pagamento das rescisões trabalhadores, os estaleiros sejam reabertos e os empregos retomados.

 

 

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